Esther Medeiros - Help - Não te julgo, te ajudo!Aos 11 anos, eu já pensava que queria ter amizades, ter namorados, ter popularidade… Eu queria viver o que minha mãe não tinha me deixado viver até então. Foi quando comecei a ser rebelde em casa, a me envolver com más amizades e com elas, conheci a automutilação. Era a “modinha” da época e eu queria me enturmar, então comecei a me cortar, só para chamar a atenção. Logo depois conheci as bebidas, as drogas, fiz tatuagens, coloquei piercings, me perdia nas festas e baladas, ficava com homens, com mulheres, tudo só para me encaixar no grupo que eu andava, para agradar aos outros. Eu já gostei de rock, gostei de reggae, raves, GLS, frequentava luaus, estava em todos os tipos de festas, ouvia todo tipo de música, andava com todo tipo de gente, só para me encaixar e tentar me sentir aceita. Nada disso adiantava.

Foi quando tudo o que parecia tão brilhante e colorido, ficou cinza e a “onda” da maconha deu lugar a terríveis crises de pânico e ansiedade. Decidi então parar de usar drogas, mas ainda sem usar nada, eu continuava tendo os efeitos delas e achei que estava ficando louca. A abstinência, as crises de pânico e todo o desespero que eu sentia me revelaram um grande vazio dentro de mim, uma tristeza que não passava nunca. Eu passei a ir para as festas por necessidade de não ficar sozinha comigo mesma. Toda vez que eu dormia ou ficava só, meu coração acelerava, eu ficava gelada, sentia que poderia morrer. Era como se eu estivesse em um prédio, pegando fogo e precisasse sair dali. Eu acabava me “refugiando” nas baladas novamente.

E enquanto eu procurava um lugar para me esconder dessas sensações, eu conheci o tráfico. Eu andava com os bandidos, namorei muitos deles, dormia com vários homens – inclusive desconhecidos – para que eles me dessem dinheiro, ia para os bailes nas favelas e dançava até não aguentar mais, com um só objetivo: ficar tão cansada a ponto do meu corpo não aguentar mais e eu conseguir dormir.

Eu estava cansada de viver assim, mas continuava mantendo as aparências e dizendo que estava tudo bem. Por dentro, eu gritava por socorro, mas não conseguia falar isso para ninguém. Era como se eu vivesse em cativeiro. Por dentro, eu me sentia pobre, morta, cansada, e eu nem consigo explicar em palavras o sofrimento que tinha continuamente dentro de mim. Era uma angústia constante, que não aliviava em tempo nenhum.

O falecimento da minha mãe foi o ponto onde tudo mudou. Eu lembrei de todas as coisas que ela me falava, de como eu era importante, que minha vida valia a pena e que eu podia ser diferente. Eu tinha vivido tão perdida até ali, tinha largado a escola, não tinha perspectivas, mas ainda assim eu não era mais a mesma. Eu decidi tomar atitudes.

Eu decidi largar tudo aquilo que me sufocava para encontrar luz. Larguei o cigarro, tirei o piercing, vendi meu telefone, joguei fora o chip com todos os contatos da minha vida antiga, vendi todas as minhas roupas. Eu sabia que se eu quisesse uma vida diferente, eu precisava me comportar de forma diferente. Eu precisava acreditar em mim mesma, valorizar a minha vida, quem eu realmente sou.

Eu mudei, tudo mudou. Eu fui transformada totalmente, de dentro para fora.
Eu venci meus medos, minhas inseguranças. Venci as crises de pânico, os vícios, as más companhias, a ansiedade. Eu venci a mim mesma! A vida que levava no passado, eu deixei lá trás, seguindo em frente e ganhando a oportunidade de recomeçar com uma vida muito melhor.

Esther Monteiro