Vida Sobre Trilhos

‘Vida sobre trilhos’: ação combate suicídio em trens e metrôs

‘Vida sobre trilhos’: ação combate suicídio em trens e metrôs

Desde outubro de 2019, o HELP FJU realiza a ação “Vida sobre Trilhos” em estações de trens, metrôs e rodoviárias, em todo Brasil, com o objetivo de conscientizar e combater o suicídio que acontece nesse tipo de local.

No local, os integrantes do projeto entregam panfletos e cartas com mensagens motivacionais. Além disso, através do “Cantinho do desabafo”, os voluntários oferecem apoio emocional para as pessoas que transitam pelo lugar, e sentem a necessidade de conversar com alguém.

“Realizamos movimentos de combate ao suicídio nas ruas, escolas e pontes, mas agora daremos também ênfase nas estações de trem e metrô. Sabendo de tantas notícias de tentativas de suicídio nesses locais, decidimos nos mobilizar para intervir nessa triste realidade”, explica o responsável nacional pelo projeto Help, Cadu Souza.

A ação também faz parte da campanha do Help chamada “Não só em setembro (#NSS)”, que tem por objetivo enfatizar o engajamento do projeto no combate ao suicídio não apenas no Setembro Amarelo – mês de prevenção ao suicídio –, mas durante o ano inteiro.

Acompanhamento especial

Depressão, síndrome do pânico, crises de ansiedade, problemas na vida amorosa e familiar, baixo rendimento no trabalho e na faculdade, levaram Isabela (nome fictício), de 23 anos, a tentar o suicídio em uma estação de trem de São Paulo.

Felizmente, a tentativa não deu certo e antes que ela pudesse cogitar novamente a ideia de tirar a própria vida, ela conheceu a FJU. No programa social, ela foi acompanhada por voluntários que a ajudaram a vencer os pensamentos suicidas e a superar os problemas emocionais.

“ Pós Pandemia”

Em julho de 2020 retomamos as ações no Metrô justamente para prevenir e combater o tsunami de problemas relacionados a saúde mental ocasionado pela pandemia.

O estudo “COVID-19, Desemprego e Suicídio”, publicado na edição de maio da revista científica “The Lancet Psychiatry”, apontou que a crise econômica e social causada pela pandemia da COVID-19, provocará um aumento de 20 a 30% no número de suicídios em todo o mundo. De acordo com o artigo, quase 800 000 pessoas tiram a própria vida todos os anos.

Durante a campanha “Vida Sobre Trilhos”, os voluntários do programa social estarão presentes em estações da Linha 5-Lilás do Metrô de São Paulo, com banners e mesas de atendimento, para conversar e oferecer apoio emocional aos passageiros que transitam pelo local. Cerca de 620 mil pessoas circulam por essa linha, todos os dias.

Em 2020 retomamos as ações no Metrô justamente para prevenir e combater o tsunami de problemas relacionados a saúde mental ocasionado pela pandemia.

Como não pode haver a distribuição de material impresso para se evitar o contágio pelo novo coronavírus, os banners da campanha trazem sinais QR Code, que levam a postagens motivacionais e conteúdo informativo. Além disso, os voluntários respeitarão todas as determinações das autoridades sanitárias, como o uso do álcool em gel nas mãos, a manutenção do distanciamento social e a utilização de máscara.

O responsável nacional pelo Help FJU, Cadu Souza, avalia que, em meio a pandemia, um problema que já era crítico, agravou-se. “Em locais como esses — estações de metrô –, é frequente que pessoas atentem contra a própria vida”. O programa é uma iniciativa da Força Jovem Universal (FJU).

Cadu explica que a ação “Vida Sobre Trilhos” tem  início agora, em agosto, para mostrar que o problema exige uma atenção maior e mais constante da sociedade, e não apenas no mês de setembro, quando acontece em todo o Brasil a campanha de prevenção ao suicídio “Setembro Amarelo”.

Mais empatia

O estudo divulgado pela revista “The Lancet Psychiatry” relatou, ainda, que “para cada pessoa que comete suicídio, existem outras 20 pessoas que realizam tentativas de suicídio”, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).

“Mesmo antes da pandemia, as pessoas já estavam transbordando sem ter ninguém para ouvi-las. Um dia a dia de correria, cada um atrás de seus objetivos e metas. É muito trabalho e nenhum tempo para ouvir o outro, ou até mesmo a si próprio”, analisa a psicóloga Tatiane Albuquerque, voluntária do Help FJU.

“Em um mundo de julgamentos e nenhuma empatia, este trabalho social é extremamente necessário. Me sinto muito honrada de fazer parte de um projeto, que em tempo de pandemia, pode ajudar alguém a trilhar o caminho para se superar. É uma oportunidade de fazer a diferença no mundo de alguém”, conclui a voluntária.